Métodos de Sanitização e Destruição de Dados¶
Sanitização de mídia é o processo de tornar inviável a recuperação dos dados de um dispositivo de armazenamento, por apagamento verificado ou por destruição física. A referência internacional para o tema é a NIST SP 800-88 Rev. 2 (Guidelines for Media Sanitization), publicada em versão final em 26 de setembro de 2025 — e é a ela que o processo da InteSys se alinha.
Atualizado em outubro de 2026.
Os três níveis da NIST SP 800-88¶
A norma organiza a sanitização em três níveis, do mais leve ao definitivo:
| Nível (NIST 800-88) | Como funciona | Quando é indicado |
|---|---|---|
| Clear | Sobrescrita dos dados pelas interfaces normais do dispositivo, com verificação | Mídias que permanecem na organização, em ambiente de risco baixo |
| Purge | Técnicas que resistem a recuperação laboratorial: Secure Erase do firmware, apagamento criptográfico (descarte da chave) e, em mídia magnética, desmagnetização | Equipamentos que serão reutilizados, revendidos ou doados — preserva o valor do ativo |
| Destroy | Trituração, prensagem ou desintegração da mídia, tornando impossível qualquer reconstrução | Mídias defeituosas, dados altamente sensíveis ou exigência contratual/regulatória |
Clear e Purge preservam o dispositivo. Destroy o elimina. A escolha depende da sensibilidade dos dados, do destino do equipamento e da política de segurança da empresa — e os três geram registro por número de série.
Rev. 2, não Rev. 1 nem DoD 5220.22-M
Muito material sobre destruição de dados no Brasil ainda cita a NIST 800-88 Rev. 1 (2014) ou o antigo padrão DoD 5220.22-M de múltiplas passadas de sobrescrita. A Rev. 2 é a versão vigente desde setembro de 2025 e trata a sanitização como um programa da organização — com política, verificação e registro —, não como um algoritmo de sobrescrita isolado.
Atenção para SSDs e NVMe¶
Em memória flash, a controladora redistribui as gravações entre os chips (wear leveling) e mantém blocos reservados invisíveis ao sistema operacional. Na prática:
- sobrescrita comum não garante eliminação — o sistema escreve sobre endereços lógicos, enquanto cópias antigas dos dados podem continuar em blocos físicos que ele nem enxerga;
- desmagnetização não tem efeito algum — chips de memória flash não respondem a campos magnéticos;
- o caminho correto é o apagamento criptográfico ou Secure Erase do próprio firmware, com verificação, ou a destruição física da mídia.
| Mídia | Sobrescrita | Desmagnetização | Secure Erase / criptográfico | Destruição física |
|---|---|---|---|---|
| HD mecânico (SATA/SAS) | Eficaz, com verificação | Eficaz (inutiliza o disco) | Eficaz | Eficaz |
| SSD / NVMe / M.2 | Insuficiente | Ineficaz | Eficaz, com verificação | Eficaz |
| Fita de backup (LTO) | Lenta | Eficaz | Não se aplica | Eficaz |
| Celular / tablet | Insuficiente | Ineficaz | Reset criptográfico do fabricante, com verificação | Eficaz |
Quando a verificação falha
Uma mídia que não passa na verificação da sanitização — disco com setores defeituosos, SSD que não aceita o comando de Secure Erase — não pode ser tratada como apagada. A boa prática é encaminhá-la para destruição física e registrar a ocorrência no certificado daquele número de série.
Formatar o HD apaga os dados?¶
Não. A formatação, mesmo a "completa", recria a estrutura do sistema de arquivos; os dados continuam no disco e podem ser recuperados com ferramentas gratuitas. O mesmo vale para excluir partições ou restaurar um celular ao padrão de fábrica sem criptografia ativa. Apenas a sanitização verificada ou a destruição física garante a eliminação definitiva — e só a sanitização documentada produz a evidência que uma auditoria ou a LGPD exige.
Páginas Relacionadas¶
- Destruição de Mídias e Dados — visão geral do serviço e perguntas frequentes
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- Processo e Documentação — certificado por número de série e cadeia de custódia